28 de set. de 2010

Por quê Estatuto?

Penso que o governo deveria, antes de fazer lançamento de editais, orientar os mestres ou seus representantes quanto aos trâmites a serem seguidos para participar do processo. A propósito,uma das exigências constantes nos editais para captação de recursos é que a entidade esteja registrada em cartório e possuidora do seu respectivo CNPJ, além da burocracia das prestações de conta caso venha a receber alguma quantia.
Em resumo, se já é difícil para quem está regularizado, imaginem para quem não está.

Mestre Moraes.

27 de set. de 2010

Caros malungos, acordemos!!!!!

Atribulado com atividades que têm me impedido de escrever para os mais de 60.000 visitantes deste blog não poderia deixar, neste momento de suma importância para todos nós cidadãos brasileiros, de cunhar a minha opinião quanto ao processo político que ora vivemos.
Acredito que nós, capoeiristas, precisamos estar atentos para os jogos que acontecem fora da roda de capoeira que é para não cairmos para quem nunca ouviu nem o som de um berimbau. Tenho observado que, de repente, os poderes públicos começaram a se preocupar com a capoeira e os capoeiristas, mas nada que realmente me convença. As coisas têm acontecido de forma que os indesejáveis não participem para que não atrapalhem com questionamentos que com certeza estimularia reações nada agradáveis.Numa reunião, ouvi da boca de um aluno de Mestre João Pequeno que neste governo as coisas melhoraram bastante para a capoeira e os capoeiristas e deu como exemplo os vários editais que têm sido lançados para captação de recursos, mas esqueceu que são poucos os capoeiristas em condições de redigir um projeto que atenda à complexidade das exigências contantes nestes editais. Observem quem são os beneficiados!!! Coincidentemente, o Mestre João Pequeno é um desses mestres de capoeira que ainda não teve a oportunidade de ser beneficiado por um desses editais, apesar do que representa para a capoeira e ter um aluno que observa as facilidades nessas "melhoras". Inclusive, nem o Estatuto da sua academia foi redigido até hoje, segundo informações que me chegam. E A APOSENTADORIA DOS VELHOS MESTRES, CADÊ GENTE?!!!!! Só história pra boi dormir.
Fui convidado informalmente para participar do PRO-CAPOEIRA mas não pude atender o convite por estar viajando na mesma data do evento e ofereci-me para viajar para um dos próximos encontros mas fui informado, agora formalmente, de que a cota de passagens já se tinha sido esgotada.Quando falo de capoeira, o meu partido é aquele que realmente respeita a história dos nossos ancestrais(Mestres Bimba, Pastinha, Valdemar, Cobrinha Verde e tantos outros) que viveram essa mesma demagogia que estamos vivendo hoje. A repressão à capoeira só mudou de forma: antes era através da polícia, hoje se utilizam da nossa esperança de querermos ver a capoeira no patamar que ela realmente merece. Precisamos mostrar que não existem mais nem Guaimuns e nem Nagôas, mas capoeiristas que não aceitam mais que outros mestres venham ter o final que tiveram os mestres supracitados. Por exemplo, envidemos uma luta para que o Mestre João Pequeno não seja o próximo. Vamos pensar e indicar um capoeirista que nos represente nesses encontros, mas que não esteja interessado só em viajar, mas preocupado com o futuro da capoeira e dos capoeiristas. Em alguma oportunidade já disse que, na Bahia, a capoeira vive, hoje, o seu pior momento. Na roda de capoeira, quem joga o tempo todo com o mesmo parceiro não adquire experiência para outros jogos.

MESTRE MORAES.


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17 de set. de 2010

EVENTO DO GCAP 2011


I
Ê, DÁ VOLTA AO MUNDO: A CAPOEIRA ANGOLA NA ATUALIDADE


De 9 A 13 de fevereiro de 2011

Local: GCAP - Forte de Santo Antônio Além do Carmo - Salvador - Ba.

Em breve divulgaremos a programação.

2 de jul. de 2010

Estou de volta.

Informo aos amigos,capoeiristas ou não,que já estou de volta ao nosso bate-papo. Estive em Nova York com o mestre João Grande, o qual está muito bem: jogando capoeira, ensinando e tomando decisões que, apesar de todo o meu tempo de capoeira, ainda me surpreendem pela sapiência.
Lá, dei dois dias de aulas na escola do Mestre João Grande onde sempre tive o carinho e respeito dos alunos do mestre.Orgulho-me em ser um seguimento dessa árvore genealógica de cujo tronco fazem parte os mestres Benedito, Pastinha, João Pequeno, João Grande(meu mestre)e outros que deram continuidade à luta do mestre Pastinha.
Vamos retomar as nossas conversas.

Abraços,

Moraes.

6 de jun. de 2010

VAMOS LÁ BOTAR FOGO NO CANAVIAL!!!!

Atento para os caminhos que a capoeira está tomando, impulsionada por uma globalização cultural despreocupada com o respeito aos limites, além da falta de apoio por parte do governo estadual,os mestres do Forte Santo Antonio vem convidar a todos os praticantes de capoeira para uma reunião,no dia 12 de junho, às16:00,quando discutiremos qual a postura que, nós capoeiristas, deveremos tomar diante de situações que já conotam perda de identidade de uma manifestação que se confunde com a história do Brasil.
Apesar de estarmos em época de eleições, não pretendemos fazer apologia a nenhum partido político em específico, mas não abriremos mão da nossa posição social enquanto cidadãos e aproveitaremos o momento para refletirmos sobre direitos que,mesmo constitucionais, não têm sido respeitados como deveriam.Paradoxalmente,é na Bahia que a capoeira tem sido mais desrespeitada pelos poderes públicos apesar do reconhecimento do Sr. Governador Jaques Vagner, quando do seu discurso de posse,em 02/01/2007 de que"[...].Assim como os negros dançavam capoeira para enganar os feitores,parece que o povo baiano dançou capoeira perante os institutos de pesquisa".(D.O de 02/01/20070).
Dando suporte histórico à metáfora utilizada pelo Governador,o jornalista Albenísio Fonseca, em excelente artigo em A Tarde(17/11/2007), afirma que "[...a capoeira revela,nas gingas do seu microcosmo, formas de resistência aos opressores...]" e contribuo afirmando que outros elementos subjacentes ainda permanecem vivos.
Observemos que temos, agora, um inimigo em comum e que as nossas diferenças têm sido utilizadas pelo poder para justificar a indiferença para com os nossos problemas. Lembremos-nos do final que tiveram os mestres Bimba, Pastinha,Valdemar e outros que muito lutaram, física e politicamente, para que tivessemos o prazer de termos esta arte ainda viva.
Nessa mesma reunião será apresentada a minuta dos Estatutos da Associação dos Mestres de Capoeira Residentes e Amigos do Forte de Santo Antonio Além do Carmo-AMECAFORTE-, da qual sou presidente eleito.

ONDE: FORTE SANTO ANTONIO ALÉM DO CARMO
QUANDO: 12 de junho de 2010.
HORÁRIO: 16:00.

27 de mai. de 2010

De axé e outras coisas.

Eu sempre questionei a forma desrespeitosa como algumas pessoas resolvem ser alguma coisa que justifique a aquisição de uma identidade. O melhor exemplo é o comportamento de alguns ao afirmarem que praticam e/ou ensinam capoeira angola simplesmente pelo fato de terem feito uma oficina de final de semana com o mestre A ou B, independente do que ele, o mestre , signifique para o mundo da capoeira.
Deixei de preocupar-me ao analizar o que seria deles se, um dia, decidissem ser índio simplesmente por achar que assim conseguiriam um espaço em uma das várias reservas no Amazonas: travestido com um cocar, uma tanga e todos os estereótipos necessários para ser confundido com um índio. Com certeza estaria faltando alguma coisa cuja aquisição, o lugar onde consegui-la, só será de conhecimento de um índio de verdade.Na realidade, ele só conseguiria enganar aos seus iguais,ou seja: outros travestidos.
Contas no pescoço,contra-eguns comprados na feira ou qualquer outro elemento simbólico sem que tenha sido previamente revitalizado é só simbolo.Conforme Juana Elbein,em seu clássico "Os Nagôs e a Morte", "o axé trata-se de um poder que se recebe, se compartilha e se distribui através da prática ritual, da experiência mística e iniciática,durante a qual certos elementos simbólicos servem de veículo. è durante a iniciação que o axé do "terreiro" e dos orixás é plantado e transmitido às noviças".
Não basta dizer: AXÉ, tem que ter FÉ.

17 de mai. de 2010

BY ANY MEANS NECESSARY.

Armando,não só aos os meus alunos, mas a todos os praticantes de capoeira falta mais um pouco de responsabilidade com os princípios que fizeram desta arte um instrumento de luta do proletariado em um momento em que as dificuldades eram maiores mas, mesmo assim,estratégias foram utilizadas como luta de resistência para que nós ainda pudessemos ter a capoeira até hoje.Aproveitando o ensejo,responderia ao Omowale que a preocupação de muitos em não concordar com a necessidade da homologação de um mestre na titulação de um outro mestre ou contramestre faz parte de um movimento articulado dentro de um grupo que se auto intitulou, já está "reconhecido" por uma comunidade que já está à espera de um reconhecimento em breve.É um acordo de cavalheiros com o objetivo de tornar a capoeira uma manifestação acéfala e sem princípios.Quando se defendem com o argumento de que antigamente era a comunidade capoeirista quem reconhecia os mestres de capoeira, esquecem de que aquela comunidade tinha por características não andar com berimbau pelas ruas,não transitar fantasiados de capoeirista, nem resolviam os seus traumas nas rodas de capoeira, muito menos via internet.
A ninguém deve ser proibido tornar-se um mestre de capoeira desde que tenha a condição mínima para fazer pela capoeira o que fizeram os mestres mais antigos que muitos estão tentando depreciar.
Alex,a sua pergunta já está praticamente respondida acima.A capoeira já está sofrendo os efeitos da perversidade de uma globalização que tem, conforme o Prof. Milton Santos, como uma das suas regras o esgarçamento das particularidades tecidas ao longo de séculos.Ainda segundo ele,"Neste mundo globalizado[...]a confusão dos espíritos impede o nosso entendimento do mundo, do país, do lugar,da sociedade e de cada um de nós mesmos". Observe, Alex que os capoeiristas já estão vivendo essa situação.
Quanto à questão sobre os mestres Bimba e Atenilo, se foram angoleiros,sei que o mestre Bimba tem uma história na capoeira angola. Quanto ao mestre Atenilo, tenho informações que foi aluno do mestre Bimba desde 1929 quando ainda tinha 11 anos.
Sol,a tradição enquanto uma das referências da ancestralidade, deixa de ter valor diante de um projeto gigante e perigoso de negação dos princípios, alguns subjacentes, que contribuiram para a sobrevivência da capoeira.
Quanto à minha história no Rio de Janeiro, ela se confunde com a minha história quando retornei, em 1983, para Salvador.Já ouvi algumas pessoas dizerem que a capoeira angola tem dois momentos distintos: antes e depois do Mestre Moraes. Eu não generalizaria, mas muitos dos que estão por aí, travestidos de ideólogos, começaram a ter história na capoeira angola, no máximo, a partir de 1983.Muitos se tornaram angoleiros sem nuncater treinado tal estilo. Conheço todos eles, e é por isso que querem me calar.
Capoeira é a minha vida. Ela está para mim, como a água está para o peixe. Defenderei os seus princípios como o líder negro Malcomm X definia a sua luta pela povo negro americano, com o lema: BY ANY MEANS NECESSARY!

MESTRE MORAES.